Rodin, nascido a 12 de Novembro de 1840 em Paris no seio de uma modesta família, foi o escultor francês dos finais do século XIX mais aclamado quer pelo público quer pela crítica.
Rodin elimina as linhas tradicionais que demarcavam a distância entre o objecto e o espectador, substituindo esta distância por uma aproximação imediata. Através desta enfatização da aproximação Rodin tornava activa a experiência corporal do indivíduo espectador, tornando-o parte integrante da obra. Deste modo o espectador torna-se consciente e identifica-se com a sua própria natureza física.
Esta forma de orientação para o nosso próprio corpo e tomada de conhecimento das nossas próprias dimensões e movimentos específicos, evoca uma sensibilidade acentuada das proporções individuais. Assim, o efeito ilusionista da aparência visual é atenuado radicalmente. Tal facto é sublinhado pela maneira como cada um dos membros da figura humana, através da expressividade dos seus gestos e movimentos exagerados, se alarga no espaço provocando uma fascinação quase impossível de resistir, visto as figuras se encontrarem a um mesmo nível que o observador.
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“Through its fetishization of the base, the sculpture reaches downward to absorb the pedestal into itself and away from actual place; and through the representation of its own materials or the process of its construction, the sculpture depicts its own autonomy”[8]
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Outra característica deste tipo de escultura sem base é a possibilidade da sua visibilidade a partir de todos os ângulos.(…) Diferentes pontos de vista, de importância equiparada, podem ser justapostos em termos quer espaciais quer temporais e assim surge a ideia de movimento como um processo contínuo que assume uma nova importância onde o observador já não se encontra preso às amarras de um único ponto de vista mas é requerido que se movimente em torno da escultura e a examine a partir de uma grande variedade de diferentes posições.
Deste modo cria-se uma ideia de um “eu corporal”, que se entende como uma imagem espacial que elaboramos do nosso próprio corpo em virtude de todas as experiências corporais. Ou seja, através desta “desmonumentalização” da obra, e da sua colocação num plano térreo facilmente acessível, Rodin promove uma interacção com obra como nunca antes havia sido possível. É dado ao observador a possibilidade de conhecer as suas próprias capacidades de movimento, dimensões corporais, em suma: desmistificar o “eu corporal” e ter uma concepção acertada do mesmo, pois este “eu corporal” desenvolve-se através de uma série de movimentos activos e passivos.
Segundo Hans Albrecht nada nos convence mais da existência de um mundo exterior do que o choque do nosso corpo com os objectos em seu redor. Existe uma tendência para o estabelecimento de uma relação com os objectos que nos estão mais próximos. Mas a obra de Rodin não nos estimula só pela sua proximidade, mas também pelo seu tratamento da camada exterior e dos seus jogos de luz. E sendo o sentido da visão aquele que desempenha um papel dominante na nossa orientação espacial torna-se clara a capacidade de relação com os públicos que Rodin imprimia nas suas obras.
Albrecht afirma que a formação de determinadas percepções espaciais pressupõem por sua vez um campo de percepção estruturado. A estruturação necessária precede as qualidades intuitivas de todos os objectos e materiais distribuídos ou dispostos em torno do sujeito que percebe, e modificada pela luz que a ilumina, a matéria perceptível é sempre a condição para a construção do espaço na psique.
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[8] Rosalind Krauss (1979)
